Obras

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Quarto de despejo: diário de uma favelada  – 1960

Em Quarto de despejo, a mulher negra e favelada, com pouca escolaridade, registra o cotidiano de pobreza que rege seus dias, bem como a humilhação social e moral a que estão sujeitos os habitantes da favela do Canindé. As anotações de Quarto de Despejo, embora com descontinuidades cronológicas, não apresentam quebras na estrutura narrativa: cada dia é igual a todos os outros, e o que conduz o fluxo da vida é a fome e a luta contra ela. Nelas se pode constatar que o trabalho, precário, não traz mais do que a condição mínima da sobrevida e a reprodução da pobreza. O relato do cotidiano da favela é direto e cru, sem que se temam os temas-tabus, como a ocorrência de incestos e de relações promíscuas, bem como o horror que a fome pode produzir. Fugindo aos cânones do que se considera “literatura” em meios acadêmicos, Quarto de Despejo é mais do que um simples depoimento; trata-se de uma obra em que, a despeito das condições materiais e culturais de sua autora, constrói-se uma forte e única representação da dinâmica social urbana, vista pelo ângulo dos que são lançados à margem. Carolina Maria de Jesus escreve para denunciar a favela e para sair dela; escreve também para, diferenciando-se dos outros moradores, lutar contra o rebaixamento a que estão sujeitos os miseráveis, num momento em que se anuncia novo salto modernizador de São Paulo e do Brasil. (Fonte: Itaú Cultural)

 

Casa de Alvenaria – 1961

Em Casa de Alvenaria, notam-se mais explicitamente as contradições da autora quanto ao que deseja para si mesma e para sua família. Também ficam patentes suas hesitações com relação  aos anseios por reconhecimento público ou ao repúdio pelos mecanismos sociais que dificultam o trajeto profissional como escritora. Essa conjunção, por vezes discrepante, ajuda a entender as razões pelas quais essa obra é considerada pouco significativa e muito voltada para o trajeto instável de um indivíduo. Confinada à forma do diário, Carolina Maria de Jesus parece se sentir compelida a repetir uma fórmula, cujo efeito não tem a força de revelação de Quarto de Despejo. A figura da ex-favelada não desperta interesse, porque ela e sua obra são objeto de atenção apenas enquanto revelam a face negativa do desenvolvimentismo; já as oscilações ideológicas da mulher que, famosa, busca a atenção da imprensa e do público não trazem à época elementos que se julguem significativos. (Fonte: Itaú Cultural)

 

Pedaços de Fome – 1963

Interessante notar que, neste livro, ao contrário do que todos pudessem imaginar, Carolina nos traz um romance ficcional, em que a principal protagonista é uma mulher branca, jovem e rica do interior de São Paulo. Carolina brilhantemente sustenta a história em formato linear de tempo, de um jovem que, tomada pelos impulsos da juventude e desejo de conhecer o amor, a felicidade e a “cidade grande”, casa-se com pseudo-dentista jovem branco da cidade, de “boa aparência”, que a leva da sua pacata cidade rodeada dos mimos patriarcais do pai-coronel. Chegando à cidade grande, acaba em Guarulhos, nos muquifos de um quintal de cortiço, muito diferente dos sonhos com arranha-céus e da boa vida que imaginava ter casando-se com um dentista. Nesta situação, passa pela invisibilidade da pobreza que a transfigura. Porém, Carolina genialmente a atribui o valor da dignidade da mãe guerreira e dispõe de amizades de mulheres negras pobres e solidárias. Um romance de início, meio e fim bem determinado, linguagem envolvente, trama consistente, além de fazer uso na trama das lições de moral típica das fábulas. Romance muito pouco explorado no geral, o que é um absurdo frente ao grande valor que ele tem, afinal é de uma imaginação e um desprendimento do eu fabuloso. Carolina sente e se imagina num mundo reverso ao seu, coisa tão valorada na construção da personagem Macabeia, de A Hora da Estrela, 1977, de Clarice Lispector, que mescla memórias próprias e de alteridade ao criar uma jovem nordestina pobre vivendo no Rio de Janeiro. (Fonte: banhodeassento.wordpress.com)

 

Provérbios – 1963

“Este pequeno livro de provérbios que apresento aos meus leitores, que vem me estimulando, no meu ideal. Não é uma obra fastidiosa. É um deleite para o homem atribulado da atualidade. Espero que alguns dos meus provérbios possa auxiliar alguns dos leitores a reflexão. Porque o provérbio é antes de tudo uma advertência em forma de conta-gotas, já que nos é dado a compreender mutuamente para ver se conseguimos chegar ao fim da jornada com elegância e decência.” (Carolina Maria de Jesus)

 

 

Diário de Bitita – 1986

Diário de Bitita, publicado após a morte da autora, resgata a força literária da produção de Carolina Maria de Jesus. Trata-se de memórias da infância e da adolescência, em Sacramento e nas fazendas onde trabalha como colona, bem como de seus primeiros tempos em Franca. Nesta obra, os temas da injustiça social, da opressão, do preconceito contra os negros, dos abusos dos poderosos são apresentados a partir da perspectiva daquela que os viveu. Apesar de suas condições materiais, Carolina Maria de Jesus lutou para conquistar dignidade e para se constituir como alguém que resiste à exploração e à desumanização. A obra testemunha a história dessa luta e da opressão a que estão confinados os pobres no Brasil das primeiras cinco décadas do século XX. (Fonte: Itaú Cultural)

 

Antologia Pessoal – 1996

José Carlos Sebe Bom Meihy organiza e publica Antologia Pessoal, com poesias de Carolina Maria de Jesus, com suas poesias. (Fonte: banhodeassento.wordpress.com)