Biografia

Em 14 de março de 1914, nascia Carolina Maria de Jesus, em Sacramento, Minas Gerais. Sua mãe se chamava Maria Carolina e seu pai era um boêmio, que nunca a assumiu. Carolina teve uma vida que deixou marcas por diversas cidades: Sacramento, Lajeado, Conquista, Franca, Uberaba, Ribeirão Preto, Orlândia, São Paulo, Osasco. Quando tinha nove anos de idade, ela se mudou com a família para outra cidade do Estado de Minas Gerais: Lajeado. Lá, trabalharam como lavradores. Quatro anos depois, Carolina e a família foram para Franca, onde moraram em uma fazenda. Neste período, a autora revezou sua vida entre ser lavradora e empregada doméstica. Em 1928, a família Jesus retornou para Sacramento e, um ano mais tarde, teve seu destino novamente alterado, desta vez para Conquista, em Minas Gerais.  Em 1930, Carolina partiu rumo à Uberaba, a pé, na tentativa de cuidar das feridas que tinha numa perna. Não tendo sucesso, ela retornou para a cidade natal e, logo depois, passou por Ribeirão Preto e Orlândia. Posteriormente a isso, voltou para Sacramento, em 1932.

Um ano mais tarde, ela e sua mãe foram presas. Ficaram detidas por pouco tempo. O motivo: Achavam que Carolina lia livros de feitiçaria, quando, na verdade, eram dicionários. Após tal fato, ambas voltaram para Franca. Em 1936, a mãe de Carolina retornou para a cidade de origem e pediu que a filha não mais voltasse a Sacramento. Carolina partiu para São Paulo. Maria morreu no ano seguinte.

Em 1948, Carolina Maria de Jesus mudou-se para a Favela do Canindé, na capital paulista. Nesse ano, nasceu João José, seu primeiro filho. O pai do menino era um marinheiro português, que abandonou o filho e Carolina. Dois anos depois, nasceu o segundo filho, José Carlos, fruto de um relacionamento com um espanhol, que depois também abandonou os três.  Ainda em 1948, foi publicado um poema da autora, no jornal O Defensor,  em homenagem a Getúlio Vargas. Cinco anos mais tarde, nasceu Vera Eunice, terceira e última filha, cujo pai era comerciante e dono de uma fábrica, que também os abandonou.

 

 

Em 15 de julho de 1955, Carolina iniciou alguns registros sobre sua vida na favela, em forma de diário. Três anos depois, quando tinha 44 anos, aconteceu a grande descoberta de Audálio Dantas.  O jornalista, em uma de suas idas à Canindé, encontrou Carolina e teve contato com suas produções literárias. Neste mesmo ano, alguns trechos de seu diário foram publicados no jornal Folha da Noite.

Em 1960, cinco anos após começar a escrever, Carolina tem seu livro publicado. “Quarto de despejo: diário de uma favelada” teve grande repercussão editorial. No ano de lançamento, o livro teve várias reedições, sendo traduzido em 13 idiomas e alcançando sucesso em diversos países. Ainda no primeiro ano, a autora foi homenageada pela Academia Paulista de Letras e pela Academia de Letras da Faculdade de Direito de São Paulo. Nesse mesmo período, mudou-se novamente, dessa vez para Osasco, na casa de fundo de um amigo.

Um ano após todo o sucesso, foi lançado outro livro: “Casa de Alvenaria: diário de uma ex-favelada”, que relata a vida que Carolina leva após sair da favela, morando agora em um bairro de classe média em São Paulo. Com a repercussão de “Quarto de despejo”, a autora conseguiu dinheiro e comprou uma casa fora da favela. Os relatos escritos nessa nova morada fizeram surgir o livro “Casa de Alvenaria”.

Em 1961, a autora viajou para outros países, como Argentina, Uruguai e Chile, e para outras regiões do Brasil. Também foi realizado o lançamento do disco de Carolina Maria de Jesus, em que canta suas composições, e do livro “Provérbios”, sem muita repercussão. Em 1963, foi lançada mais uma obra, “Pedaços de fome”, também sem grande sucesso.

Em 1969, Carolina e os filhos se mudaram para um sitio, em Parelheiros, um bairro periférico de São Paulo. Três anos depois, escreveu “O Brasil para os brasileiros”. Depois de o material ter sido ridicularizado pela imprensa, parte dele foi editada para outro nome: “Diário de Bitita”.

Em 1977, aos 63 anos, Carolina Maria de Jesus morreu vítima de uma crise de asma.